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Michael Jackson está morto. Foi para a Terra do Nunca. O pop resiste com Madona e Elton John.

Cobertura no Twitter em @soshollywood e no portal Terra.

Eis o comunicado oficial do UCLA Medical Center. (em ingles, sorry)
Resumindo:
De acordo com o hospital, Michael Jackson chegou inconsciente à sua Emergência, por volta das 13h14, de hoje, foi atendido por um time de médicos e especialistas em procedimentos emergenciais, que tentaram lhe reavivar por mais de 1 hora, porém, sem sucesso. Detalhes sobre a causa da morte serão confirmados apenas após a autópsia. A família do cantor pede respeito da mídia em relação ao sigilo e dor da família.

UCLA Statement – Michael Jackson

The legendary King of Pop, Michael Jackson, passed away on Thursday, June 25, 2009, at 2:26 p.m. It is believed he suffered cardiac arrest in his home. However, the cause of his death is unknown until results of the autopsy are known.

His personal physician, who was with him at the time, attempted to resuscitate Jackson, as did paramedics who transported him to Ronald Reagan UCLA Medical Center. Upon arriving at the hospital at approximately 1:14 p.m., a team of doctors, including emergency physicians and cardiologists, attempted to resuscitate him for a period of more than one hour but were unsuccessful.

Jackson’s family requests that the media respect their privacy during this tragic period of time.

-UCLA-

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O que seria do The Cult sem Joy Division?

Até hoje é difícil definir o que foi o Joy Division para a cena musical inglesa na virada dos anos 70. Eles surgiram no punk rock, cantavam pesado e cheio de barulho, mas tinham algo a mais. Tinham Ian Curtis. A banda deu certo e decolou já exibindo alguns traços pop, Curtis pirou com remédios que tratavam sua epilepsia e se enforcou. A banda acabou e se transformou no New Order, que vendeu disco a rodo nos anos 80. Tudo isso em cerca de quatro anos. Doido, não? Agora o cinema brasileiro sofre com uma overdose da banda. Dois filmes chegam às telas: Control, uma biografia de Ian Curtis, e Joy Division, um documentário de primeira qualidade sobre o grupo e um pedacinho do rock inglês.

Leia a crítica de Control, aqui! O Zarko que fez.

Assisti a Joy Division hoje graças a um DVD que a Daylight Films – de Campinas!!! – me mandou. Empresa nova no mercado, aliás, sabiam? Confesso que fazia tempo que o Joy Division não entrava no meu radar musical. Tenho ouvido muito Blind Guardian, Iron Maiden, U2 e Bowie. Estou precisando variar.

De qualquer forma, encarei o mega documentário dirigido por Grant Lee, sujeito inteligente e de boas sacadas que já comandou alguns vídeos do Radiohead e do Blur. Os integrantes da banda estão todos lá. Annik “Yoko” Honoré está lá. E algumas cartas de Deborah Curtis também estão lá. Aliás, Control, o outro filme, é adaptado diretamente de um livro que ela escreveu.

Todo mundo foi filmado contra um fundo negro, que dá um aspecto bem sério à coisa. Você é obrigado a olhar para aquele “velhinho” – especialmente os três que formaram o New Order, logo após o suicídio de Ian Curtis, em maio de 1980 – que relembra situações memoráveis para nós, meros mortais, mas parte da vida deles. Um desses momentos é o tal do show “fiasco” dos Sex Pistols em Manchester. Apenas 42 almas compareceram ao show, porém, a quantidade de bandas e gente influente que saiu desse grupo foi impressionante. Entre eles, claro, estava o quarteto que, algum tempo depois, viria a se chamar Joy Division.

O nome, aliás, saiu de uma matéria de jornal que falava sobre um prostíbulo de garotas judias retiradas de campos de concentração pelos oficiais nazistas. Elas não sofriam com a desgraça dos trabalhos forçados, mas tinham seus próprios problemas. Enfim, “Batalhão do Prazer”, ou algo assim, é o sentido do nome da banda.

Vários detalhes como esse são revelados pelos músicos, produtores e jornalistas que viveram aquela época. Dá até dó ver os caras se empolgando quando gravaram o primeiro disco e, quando botaram para tocar, a qualidade da gravação estava tão ruim que espantaram quase todo mundo de uma boate!

Mencionar a trilha sonora é inevitável, uma vez que as canções vão construindo a história de maneira poética e quase profética. Da rebeldia esquisita no começo, passando pelo lançamento de Unknown Pleasures (o primeiro álbum de estúdio), à depressão do último álbum – Closer, que tinha uma sepultura na capa. Interessante como, logo de cara, dava para notar que as composições do Joy Division destoavam de Sex Pistols e Buzzcocks, por exemplo, que “mandavam” na cena punk rock. Isso já abria precendentes para o pop começar a se formar. E a postura meio Jim Morrisson que o Curtis passava nos shows transformava aquele sujeito num ser curioso e digno de estudo e, claro, paixão incondicional de seus fãs, que o idolatravam. Aliás, não há como não pensar, o que seria do The Cult não fosse pelo sucesso do Joy e o padrão que Ian Curtis definiu?

O filme vai crescendo até a inevitável menção ao ponto crítico dessa história: Ian Curtis ser diagnosticado como epilético. Embora nada disso tenha muito a ver com o estilo maluco do cantor no palco, suas visitas a um tipo de transe inexplicável passaram a ter um novo sentido. Esse estilo, aliás, inspirou diretamente o professor de dança Coisinha de Jesus, do Casseta e Planeta. Não é? =D

Curioso que o formato de “entrevista + fotos de arquivo + imagens de época” faz com que todo esse longa-metragem tenha uma cara de extra muito bacana de DVD. Só que sem os caras repetindo a mesma coisa a cada novo assunto. A condução das entrevistas foi primorosa. Claro que o conteúdo ajuda, mas a edição deixou tudo muito bem amarrado e lógico.

Enfim, toda a história do Joy Division e, claro, de Manchester estão lá. Agora uma das coisas mais engraçadas é ver que, quando surge a Yoko da banda – a belga Annik Honoré – a coisa muda um pouco de figura e, melhor ainda, nenhum dos caras da banda suporta a mulher! E olha que ela fez muito menos do que a japa metida a artista. O baixista, Peter Hook, aliás, não quer nem saber e arrepia para as câmeras. O amor é lindo!

Justamente por ser muito importante para os rumos da banda e também do gênero musical, a morte de Ian Curtis toma conta dos últimos 25 minutos do filme. As reações dos amigos, o fato de estarem às vésperas da primeira turnê pelos Estados Unidos e, claro, o surgimento do New Order – que tocou por 18 anos antes de decidir executar uma das músicas do Joy Division. Também pudera, Curtis era o coração por trás das canções – fossem elas tristes ou não – e toda essa carga emocionou não foi o suficiente para que os amigos fizessem algo para ajudá-lo. Gente burra, na verdade, pois o cara tentou se matar tomando mais remédios do que devia meses antes de “conseguir” e se enforcar em casa.

Joy Division é aquele tipo de filme que vale a pena procurar uma das 3 salas que deve estar passando (não sei o tamanho do circuito) e ir conferir por vários motivos:
– Educação musical.
– Boa trilha sonora.
– Nada de adolescentes acéfalos fazendo piadinhas.

Uma verdadeira aula de história. Especialmente para quem sabe que o Joy Division é muito mais que “Love Will Tears Us Apart”.

Mas já que mencionei a dita cuja, aí vai ela. A original, não aquela versão tosca do The Cult: