Posts com Tag ‘Pessoal’

Pois é, é hoje. Entrei oficialmente para o grupo dos balzaquianos e para comemorar, uma listinha de coisas bacanas para fazer em LA no dia do meu aniversário!

– Transcrever a entrevista exclusiva do Kiefer Sutherland e do Stan Lee!
– Pagar US$ 2,50 numa lata de Guinness , que custa R$ 14,00 no Brasil!
– Beber a lata de Guinness! =D
– Pagar US$ 15,25 numa garrafa de Bailey’s, que custa uns R$ 70 no Brasil!
– Passear com a filha no Observatório do Griffith Park.
– Descobrir que o gramado do Observatório inspirou Minas Tirith! o_O
– Comprar quadrinho novo de Star Wars e pagar SÓ os US$ 14,75 que custa.
– Passar na caixa de correio para pegar o DVD do Homem de Ferro – antes do lançamento!
– Levar a família para jantar no Bubba Gump, dentro do parque da Universal!
– Tomar um pouco do Bailey’s comprado anteriormente!
– Assistir episódio novo de Sons of Anarchy e puxar o Dr. Fantástico no “on demand” do TCM!
– Comer uma barra de chocolate Wonka comprada especialmente para a ocasião!
– Dormir feliz e saber que, amanhã, mesmo depois do aniversário, continuo em Los Angeles e dá para fazer tudo isso de novo!

Ô beleza! Viva eu! =D

Anúncios

Ô Fase!

Publicado: 05/08/2008 em Pessoal
Tags:

O ritmo das atividades aqui em Los Angeles é estranho. Tem semana sem absolutamente nada para fazer. É olhar para o teto ou o céu ser feliz. Bom, em termos, pois é chato à beça. Aí tem semana com 5 eventos, duas premières, um festival, amigo visitando e o escambau. Essa instabilidade tem um efeito ruim, pois, de vez em quando, desanima. Mas é a dinâmica desse lugar, impressionante. E isso, infelizmente, se reflete no pique para as postagens também.

A primeira parada pesada foi para arrumar tudo para a Comic-Con, afinal levou um bom tempo para que as entrevistas fossem agendadas. Eu tenho que falar com o Brasil, que fala com as matrizes, que falam com o Brasil e aí alguém me responde. Foi um parto, mas por isso consegui algumas coisas muito boas. Dessa vez, tirando a Fox, todas as distribuidoras trabalharam bem e fizeram a parte delas.

Mas, como nem tudo são flores, a Fox deu com os burros n’água novamente. Depois de simplesmente ignorar diversos correspondentes nos EUA que queriam fazer Arquivo X, a companhia não armou nenhuma entrevista para a imprensa. Nada que tenha sido divulgado, pelo menos. Se alguém conseguiu, foram os amiguinhos. Aliás, nunca vi uma panelinha tão grande, assustadora e hermética quanto essa do cinema. Sou altamente a favor da pluralidade de mercado por diversos fatores e me espanta a idéia de que, usando a linha de pensamento da Fox, principalmente, e da Warner, em vários casos, na hipotética situação de uma revista e um site fechem – improvável, mas não impossível – os “leitores” brasileiros não terão mais acesso a nada em termos de cinema, afinal só eles “importam”. É como eles pensam, só isso. Estranho, mas péssimo para o mercado de qualquer maneira, pois esses dois veículos são necessários – ninguém quer que fechem –, mas monopólio também não está certo.

Enfim, aí veio a Comic-Con. Insanidade total. Cinco dias longe de casa, quase sem um tostão no bolso – fui para lá sem ninguém bancando absolutamente nada, aliás – e realizei a cobertura que vocês acompanharam no Judão e agora foi pra capa da Sci-Fi News. Adorei estar lá, conhecer gente como Frank Miller, Alex Proyas e até mesmo o Chris Evans, que é um sujeito bastante simpático.

Voltei da Comic-Con literalmente morto. Mas o que acontece no dia seguinte, aquele em que eu pretendia dormir até as 5 da tarde? Terremoto! Surtei com o tremor. Foi curtinho, só 20 segundos, mas pareceu um minuto inteiro. Eu estava dormindo e acordei com a casa tremendo. PELOAMORDEYODA! Não queriam passar por isso, amiguinhos. É horrível!

E parece que estou cansado e mentalmente ocupado desde então. Falta de tempo? Não. Até que tenho tido bastante tempo, mas estou tirando o atraso de filmes que perdi no cinema. Então já assisti Uma Noite no Museu (nota 9), Doomsday (-15), Leatherheads (7,7), The Happening (1, Shyamalan me decepcionou pela primeira vez) e fui conferir Meet Dave, que estréia esse fim de semana no Brasil. Eddie Murphy não dá uma dentro, é impressionante. Nota 4,5 pelo esforço.

Mas o que eu quero dizer com tudo isso? Bem, o pique aqui está confuso. LA tem coisa acontecendo o tempo todo, mas o aspecto psicológico de estar aqui sozinho tem efeitos ruins e hoje eu entendo os motivos que levavam muitos dos caras que tentavam a sorte nos EUA nas últimas décadas, antes do advento da internet. É quase um exílio – não é momento emo, tá Bó?! =D – pois não existem muitas referências e nem apoio.

Não existe família, leva-se um tempo para fazer amizades aqui e, por mais moderninho que você seja, a adaptação ao ritmo e aos detalhes que a gente tira de letra no Brasil é muito grande. Quer um exemplo? Tente ir ao banco para pagar sua conta de telefone! Banco aqui NÃO SERVE para pagar contas. Para pagar sua conta, você deve enviar um CHEQUE pelo correio! E eles dizem que é super seguro! Meeedo! Ah sim, e eles nunca ouviram falar em transferência entre contas ou DOC entre bancos. Tudo é cheque.

Enfim, essas coisas levam tempo e às vezes tiram a gente do sério. No meu caso, causa esse esgotamento mental. E, claro, com isso vem aquela sensação de que tudo que eu fizer – seja aqui para o blog ou para o meu livro – não está legal. Porém, muita coisa vai melhorar e vou mostrar outro aspecto de Hollywood para vocês: o maravilhoso mundo das atividades infantis!

Sim! Finalmente, a família está a caminho. Minha esposa e minha filha chegam a Los Angeles na semana que vem depois de 7 meses longe de mim. Isso está motivando um bocado e só o fato de não precisar ficar grudado na tela do computador praticamente o dia todo vai mudar bastante o dia a dia aqui. E, espero, tudo isso reflita positivamente no trabalho que faço aqui no SOS Hollywood. YAY! Família unida! ASSAZ!

No meio disso tudo eu consegui coordenar um projeto bastante interessante que já mostrei para alguns leitores que acabaram se tornando amigos pelo MSN e pelo Orkut. Vou manter o suspense aqui, mas digo que o fato de já estarmos operando com o endereço www.soshollywood.com é um sinal de que coisa nova vem por aí. E quando eu digo nova, eu quero dizer nova. E, não, não é um novo portal. Judão Rules e daqui a gente só sai com proposta indecente AND se o Bó deixar! OIBÓ! o/

Acho que, no fundo no fundo, só queria agradecer aos leitores pela força e pelas visitas que tem transformado o SOS Hollywood num grande sucesso. São mais de 2000 visitas diárias e para um blog que começou outro dia, é uma grande conquista. Espero que meu trabalho corresponda ao que vocês procuram e gostem de ler, ouvir e etc. Que sejam 5000 no aniversário de um ano! =D

E tenho dito! Abraço a todos! E obrigado!

Terremoto!

Publicado: 29/07/2008 em Pessoal
Tags:, ,

Acabei de perder a virgindade de terremotos!

Um tremor de magnitude 5.8 chacoalhou o Leste de Los Angeles hoje por volta das 11h. Como eu estava hibernando depois da maratona na Comic-Con, se o prédio caísse eu teria ido para o saco rapidinho, pois não deu tempo de fazer nada. De acordo com a CNN, o terremoto durou 20 segundos e chegou até mesmo a Las Vegas.

Eu achei que a casa ia cair, literamente, mas os americanos estão sossegados e alguns dizem que esse foi o mais sossegado que a cidade já enfrentou. Mais sossegado?!!? Onde eu fui amarrar meu bode!!!!

Bom, o apartamento parece estar em boas condições, nada quebrou e a vida continua. Agora, que deu muito medo, ah deu!

A batalha estava próxima,
Mas ela ainda não sabia.
Os rumores da guerra tomaram a vila.
Calmo ele permanecia.

A primavera chegara.
E com ela a guerra.
Senhores e servos.
Pobres e ricos.

Não haveriam rosas brancas,
Aos pés daqueles que morreriam.
Não eram bolos de viagem,
Nas mãos daqueles que não regressariam.

Seu espírito clamou.
E ela atendeu.
Para seu amado, nada de frivolidade.
Ela não queria piedade.

Para vê-lo retornar,
Oferenda melhor não havia.
E, no fundo, ele sabia,
Que precisaria lutar.

No dia da partida houve comoção.
Mulheres choravam com emoção.
Guerreiros partiam já saudosos.
Seus filhos olhavam curiosos.

Esperança e temor eram sua bagagem.
Debaixo das armaduras antigas.
E do couro surrado.
Levavam amuletos e forragem.

Um deles parecia não temer.
Sua partida parecia encantada.
Os passos de seu cavalo faziam o chão tremer.
Em sua bainha, estava a espada de sua amada.

Lu

*Esse foi um dos mais belos que já escrevi para você! Lembre-se!*

Orgulho do Papai!

Publicado: 13/03/2008 em Pessoal
Tags:

Filha Lindona!

Não dá para esconder, uma das coisas das quais mais sinto falta nessa viagem é a minha filhota. Com a esposa do coração ainda dá para falar pelo MSN ou pelo telefone, mas a filha ainda não fala, não sabe digitar e tenta comer o telefone. Aí, a Lu resolve me mandar uma foto dessas e não tem como não dizer que é o orgulho do papai! Com credencial de imprensa e tudo mais?

Essa menina só me deixa orgulhoso! 🙂

Ah sim, antes que alguém reclame, gostaria de lembrar que esse, até segunda ordem, é meu blog pessoal. Embora algumas pessoas resolvam bisbilhotar e ir fazer fofoca sobre o que eu publico. Morram de inveja! Olha a filhona! :-p HUAUHHUAHUAHUA

Uma Simples Homenagem

Publicado: 22/02/2008 em Pessoal
Tags:

Hoje tenho certeza, nasci para escrever. Tentei outras coisas, outras profissões, esportes, paixões. Mas há apenas uma coisa que me faz completo e realizado profissionalmente: escrever. Foi escrevendo que conquistei minhas asas, conheci minha esposa, meus ídolos e homenageei aquelas que amo. E é escrevendo que quero compartilhar uma história recente, triste, mas ainda assim, uma história. Que preciso escrever para assim, da melhor maneira que posso, honrar seus participantes e, em especial, ela.
Ela é minha avó. Elza.

Elza nasceu de família italiana, no coração da Mooca, nos tempos do bondinho, da chegada da Fábrica da União e de quando os galpões de tecelagens e outras indústrias tomavam conta do bairro mais gostoso de São Paulo. Casou cedo com meu avô, André. Tiveram três filhas: Ana Lúcia, Elizabeth e Elenice. Vovô e tia Elenice partiram há muito tempo, mas deixaram grandes saudades em todos da família. Elizabeth é minha mãe querida. Mas aqui falo de minha avó.

Na tarde de uma quinta-feira de janeiro o telefone tocou. Era ela, minha avó. Triste por saber que minha viagem se aproximava e que eu não a veria mais com tanta freqüência, ela ligou para saber se eu viria para Los Angeles mesmo e como estava me sentindo. Sempre preocupada. Sempre carinhosa.

Conversei bastante com ela, mas estava meio triste. Reclamei barbaridade da minha mãe, mas ela me fez ver que era bobeira ficar irritado, ainda mais tão perto da viagem. Faltavam apenas 5 dias para me distanciar de todos que amo.

E continuamos conversando, por uma meia hora. Ela me disse que estava cansada, sentindo um mal estar, mas que descansaria para se recompor. Durante a conversa, eu prometi que não descansaria até fazer a viagem valer a pena e que, em alguns meses, eu voltaria para levá-la para conhecer os Estados Unidos. De uns anos para cá, aprendi que a melhor coisa que pode ser dita àqueles que amamos é: eu te amo. E assim me despedi dela. “Vó, eu te amo, tá? Já estou morrendo de saudades. Te amo”. Meio insegura, como sempre para responder à minha devoção a ela, ela respondeu: Eu também te amo.

Foram as últimas palavras que ouvi da boca da minha avó. No dia seguinte, ela passou mal, foi para o hospital e, dois dias depois, tinha partido. Tive ainda uma última chance de ir vê-la, mas, atendendo a uma última “ordem”, fiquei com meus pais, irmãos, tios e primos no churrasco de despedida. Única demonstração de afeto que tive antes da minha partida, aliás. Nada de bota-fora com amigos. Nada. Apenas minha família. Minha mãe disse que ela deu uma bronca quando ficou sabendo que eu sairia no meio do churrasco para ir visitá-la no domingo.

Segunda pela manhã, enquanto negociava matérias e contatos, preparando as últimas coisas para embarcar, minha esposa entrou chorando no quarto. De algum modo eu já sabia, mas não queria acreditar. Era a notícia. A maldita notícia que temi por tantos anos e que simplesmente me derrubou. Até hoje não sei como não caí de cara no chão, mas a reação foi a da não reação. Ausência de emoção, já que meu ceticismo proíbe qualquer tentativa válida de negação ou algo do tipo para algo tão definitivo. A morte. Ali estava ela. Na minha frente, nua e crua, sem roteiro de cinema, sem trilha sonora. Ela apenas é. E a gente sem poder fazer nada.

Ainda não chorei o suficiente. Aliás, ainda não chorei direito por ela. Iniciei essa viagem maluca para salvar minha família, minha dignidade e reencontrar o Fábio lutador, que saiu do subúrbio da Zona Leste de São Paulo para disputar espaço na grande imprensa do Brasil, que hoje mora em Los Angeles, mas vai dormir todos os dias lembrando de tudo que já passou e por quem faz todo esse esforço.

Aqui estou construindo uma nova vida e vivendo um sonho, mas triste por não ter fugido do churrasco e falado com ela uma vez mais. Abraçado uma vez mais. Dado um último beijo delicado em seus lábios. E ter dito, sem ser pelo telefone, uma vez mais, “Te amo, vovó”.

Tenho visto pessoas preocupadas com picuinhas, intrigas, gente desmoralizando meu trabalho, duvidando da minha dignidade, desacreditando na minha promessa e nada disso faz sentido. Trocaria cada momento aqui, cada notícia apurada, cada entrevista feita por um reles minuto ao lado da minha avó. Um minuto. Uma frase. Um simples carinho.

A vida ganha mais valor quando algo assim acontece. Gostaria muito que a gente percebesse isso antes de acontecer que, assim como eu, as pessoas aprendessem a dizer “te amo” e não se preocupar com quem não merece seu amor. Mas cada um tem seu momento de aprendizado. Felizmente, o meu chegou antes e hoje seguro a barra de ficar longe da minha esposa amada e da minha filha, pois sei que vai valer a pena e que elas voltarão a viver comigo muito em breve. Felizes, numa nova realidade, numa nova chance que o Brasil me nega, infelizmente.

Carreguei o caixão de minha avó em seu último passeio. Fiquei junto dela o quanto pude até que a tristeza e o sono me afastaram do duro velório. Olhei para ela e, mesmo triste, pude me sentir orgulhoso por saber que a última coisa que dissemos um para o outro foi “Eu te amo”.

Já faz um mês que tudo isso aconteceu. E ainda não chorei. Mas o amor permanece. Uma parte da promessa eu não posso cumprir, a outra, eu não abro mão. Mesmo com as lágrimas lavando o rosto e tentando apagar a dor, que ainda é latente e imensurável.

vo-e-ariel.jpg

Obrigado por tudo!