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Bancos de ônibus proibidos para alienígenas e um 0800 para denunciar os ETs!

Marketing é tudo em Los Angeles. Sem lei Cidade Limpa, outdoors e pôsteres dominam a cidade, mas quem chama atenção são campanhas mais inusitadas. O que você pensaria se desse de cara com um ponto de ônibus reservado “apenas para humanos e proibido para não-humanos”? Para completar, uma mensagem pede para que alienígenas ilegais sejam denunciados às autoridades. Muita gente fica confusa, alguns com medo, mas todo mundo presta atenção. Esse é o clima criado pela campanha de Distrito 9, um thriller de ficção científica de Neill Bloomkamp e produção de Peter Jackson.

Sem grandes astros no elenco, orçamento milionário ou legiões de internautas desesperados pela estréia, a idéia é boa, pois cria expectativa em torno do que será o alienígena estilizado que aparece em todos os anúncios. No roteiro, inspirado num curta-metragem de Bloomkamp [Alive in Joburg], debatendo preconceito sofrido por uma raça alienígena forçada a viver em condições desumanas na Terra. Esse é mais um dos exemplos de marketing viral, cujo objetivo é despertar curiosidade e gerar visitas ao site oficial do filme [www.d-9.com].

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A campanha atinge a cidade toda e faz mais sucesso que os outdoors de Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados, senhores supremos dos edifícios de Los Angeles. Exagero não é tudo, curiosidade faz mais efeito, especialmente quando há alienígenas e racismo intergaláctico envolvido. Distrito 9 estréia em 14 de agosto nos Estados Unidos. Falei um pouco mais sobre ele no último SOSCast.

Liguei para o telefone da campanha e gravei uma mensagem desesperada denunciando alienígenas [na verdade, armênios narigudos – redundante – e bizonhos na vizinhança]. A Sony diz que pode usar qualquer uma das mensagens em sua campanha. Isso que eu chamo de interatividade! O telefone também fornece informações sobre o filme e gerou mais de 30 mil ligações ao longo de 4 semanas.

Aí vai um vídeo que acabei de fazer sobre a campanha (a pedido do Jurandir, do RapaduraCast):

Esse é o trailer em português:

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John Connor sofre mais com o exagero de marketing do que com as armas da Skynet. Filme é perfeito para fãs, mas falha como obra cinematográfica.

SPOILERS

McG fez grandes promessas ao longo da produção de O Exterminador do Futuro: A Salvação. Prometeu batalhas inesquecíveis, personagens carismáticos, um futuro sombrio e a ascensão de John Connor. Quase cumpriu todas elas. Quase. A única coisa inteiramente provada pelo filme foi o respeito extremo do diretor a James Cameron e aos primeiros filmes da série. Tanta preocupação privou Salvação de ser um grande filme, para se tornar um quase sucesso. Complicado imaginar como um filme consegue ser perfeito e pífio ao mesmo tempo. Fabulosamente ligando pontos da história original e apático nas principais seqüências de ação. Assim é Salvação.

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Crise é a palavra do momento. Economia. Política. Hollywood. Todo mundo está em crise. O jornalismo também, afinal, colhe os frutos de sua postura subserviente e conivente com o controle dos estúdios, distribuidoras ou canais de TV. Chegou a hora de perguntar: fazemos jornalismo ou somos mera ferramenta de marketing?

Diferente do jornalismo cotidiano ou da cobertura econômica e política, os cadernos de entretenimento funcionam de forma diferente, especialmente quando se fala em cinema. Enquanto nos primeiros as informações não disponibilizadas podem ser reunidas por um jornalista investigativo, no caso do cinema isso não acontece, por dois motivos: primeiro, tratam-se de empresas privadas, que possuem o direito de tomar suas decisões a portas fechadas; e, segundo, o próprio teor deste meio não admite práticas deste tipo.

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Prepare-se para ação, slow motion e muitas coisas impossíveis! Tem problemas, mas deixa para lá, afinal, também tem Angelina Jolie!

O Procurado (Wanted, 2008, EUA) tem tudo que um bom filme de ação precisa. Armas, tiroteios, cenas impossíveis, perseguições de tirar o fôlego e, claro, Angelina Jolie. James McAlvoy e Morgan Freeman estão ali, mas o show visual é dela, que vai fazer muito marmanjo pagar o ingresso só para ver sua cena seminua. De qualquer forma, o filme funciona dentro de seu gênero, mesmo com alguns problemas notáveis de edição.

Novidade, entretanto, não existe em termos técnicos em Wanted. Os efeitos das balas não atualizam o bullet time de Matrix e a trajetória do personagem principal – James McAvoy, sempre bem – é uma saga do herói ao avesso que é prejudicada por uma montagem confusa em alguns momentos. A ação, porém, é tão intensa que o ritmo acelerado compensa suas deficiências. O que pode, e deve, frustrar muitos dos fãs da HQ que inspirou o filme, em 2003, no mercado norte-americano.

Os personagens são construídos rapidamente e suas habilidades também. Eles são capazes de curvar as balas, ou seja, atiram de qualquer lugar, a qualquer distância e, normalmente, atingem seus alvos. O mais novo membro dessa elite de assassinos é Wesley (James McAvoy), que é recrutado por Fox (Angelina Jolie) para vingar a morte de seu pai, também membro da tal Fraternidade. Mas há o inimigo, Cross (o competente ator alemão Thomas Kretschmann), um renegado disposto a destruir o grupo.

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Mesmo para quem leu a HQ há novidades no roteiro, pelo que já foi dito por quem assistiu. Mas, especialmente, quando se analisa o filme sem essa referência pode se valorizar a construção de uma grande mentira em torno da real função de Wesley e a verdade por trás da Fraternidade, que é liderada pelo personagem de Morgan Freeman – em destaque por algumas frases fortes, palavrões hilários e uma careta impagável. Comédia? Não, mas valoriza seu trabalho e evita um personagem meramente ilustrativo ou repetitivo. Afinal, criar sujeitos caricatos e bobos é muito fácil.

É aquele tipo de filme feito para a nova geração: boca suja, disposta a mudar o mundo com um headshot, e que sonha em descobrir que é filho de um milionário! Claro que a “apologia” às armas vai dispertar os incautos, claro que os xiitas vão detestar por causa das diferenças, mas claro que tudo isso soa cool para diabos. E é isso que o filme pretende, ser cool. A “Geração MTV” cresceu e esse filme é para ela.

O Procurado
, porém, tem seu pior inimigo em sua própria campanha de marketing. Foi-se o tempo em que um filme grande tinha um teaser e um trailer. Agora existem os “promos” e os vídeos para internet. Com isso, se você acompanhou toda a trajetória que a Universal Pictures realizou para divulgar seu produto, você não se surpreende no cinema. As grandes cenas de ação já foram vistas. Angelina já fez o carro rodopiar para resgatar Wesley; que, por sua vez, já cometeu um assassinato aéreo atirando pelo teto solar de um veículo blindado onde estava sua vítima; e por aí vai. As bilheterias não vão sentir o efeito disso, mas, sem dúvida, muita gente vai sair da projeção com a sensação de que já tinha visto quase tudo ali. É aquela velha história “a melhor piada estava no trailer”. Ela pode se repetir nesse filme. O resultado soa como uma montagem desses clipes, ou melhor, um grande videoclipe dirigido pelo russo Timur Bekmambetov (do ótimo Night Watch).

Mas será que alguém vai se preocupar com isso depois de passar algumas horas com a Angelina? O curioso é que muitos fãs do quadrinho já se perguntam: é possível que a Fox seja interpretada por alguém que não a Halle Berry? Meus queridos, Halle não é NADA perto da Jolie, não para esse filme. Acreditem!

O Procurado cumpre o que promete: ação do começo ao fim, tiroteios impensáveis e, claro, dar mais um exemplo da sensualidade voraz de Angelina Jolie em cena. É bacana e empolgante, mas não chega a fazer sombra perante os grandes lançamentos do ano e daqui a pouco vem o morcego para monopolizar as opiniões e colocar os tiros impensáveis de Wanted para escanteio. Mas claro, que, algum daqueles prêmios non-sense que o MTV Awards entrega: Melhor Cena de Carro Rodopiando, ou algo assim. Justo dizer que o filme também entrega alguns elementos secundários de grande valia como outra uma ótima atuação de James McAvoy (os personagens principais nesse caso são as cenas de ação, o fato dele aparecer em todas elas não o torna mais importante que a adrenalina das cenas), que se consolida cada vez mais; uma ótima participação de Terence Stamp; e uma mensagem tapa na cara para quem se contenta com uma vidinha medíocre.

Afinal, o que você tem feito ultimamente?

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*Vou escrever duas críticas sobre Wanted. Essa é a primeira, antes de ler o quadrinho. Analisando o filme como produto individual e único.*