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Crise é a palavra do momento. Economia. Política. Hollywood. Todo mundo está em crise. O jornalismo também, afinal, colhe os frutos de sua postura subserviente e conivente com o controle dos estúdios, distribuidoras ou canais de TV. Chegou a hora de perguntar: fazemos jornalismo ou somos mera ferramenta de marketing?

Diferente do jornalismo cotidiano ou da cobertura econômica e política, os cadernos de entretenimento funcionam de forma diferente, especialmente quando se fala em cinema. Enquanto nos primeiros as informações não disponibilizadas podem ser reunidas por um jornalista investigativo, no caso do cinema isso não acontece, por dois motivos: primeiro, tratam-se de empresas privadas, que possuem o direito de tomar suas decisões a portas fechadas; e, segundo, o próprio teor deste meio não admite práticas deste tipo.

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Que a Rosario Dawson era bonita e simpática eu já sabia, agora que a mulher entende tudo de política e, como disse Michael Chiklis (o Coisa, de Quarteto Fantástico) “deveria concorrer à presidência” eu nem imaginava. Enquanto a entrevista completa que fiz hoje com a moçoila não fica devidamente pronta, aí vai uma palhinha para vocês.

Claro, falamos sobre Zack and Miri Make a Porn, próximo filme do deus nerd Kevin Smith, que, de acordo com as más línguas, ela recusou. Oi Rô! o/

Você se arrepende de ter recusado o papel? O que aconteceu afinal de contas?
Eu não recusei esse trabalho. Estava filmando Eagle Eye, então não dava para fazer os dois ao mesmo tempo. Só isso. Sou super fã de Kevin Smith e adoro tudo que ele faz, mas ainda não inventaram a clonagem! risos! Estou doida para ver o filme! O elenco ficou ótimo.

Eles são atores tirando sarro de atores e não estão nem aí por criticarem a si mesmos. Trovão Tropical chegou para chacoalhar o mercado!

Trovão Tropical faz rir. Ponto. Por ser uma comédia, não precisaria ir além disso, mas, sob a batuta de Ben Stiller – que estrela e dirige o longa-metragem –, acaba criticando a classe artística de Hollywood e sobra para todo mundo. Stiller se destaca como o sem-noção que tenta salvar a carreira, enquanto Robert Downey Jr., atuando como “negão”, força tanto na gíria e no perfil “downtown LA” (acho que ele é parente do LeBrown, sei não), que nem mesmo o resto do elenco entende o que ele diz. Jack Black é o ponto fraco. Totalmente descartável e sem estilo, ele só ocupa espaço do que poderiam ter sido boas piadas. Adoro o Jack, mas ele começou a me deixar com a pulga atrás da orelha. Será que ele sempre foi tão repetitivo assim e só agora estou me tocando? Humm.

Cercado de polêmica – negros e grupos ligados a deficientes mentais protestando contra os exageros –, o filme é lotado de referências a clássicos de guerra, com direito a remake de cenas de Platoon, e mostra como a química entre o alucinado Downey Jr. e Ben Stiller, em mais um bom momento, funcionou muito bem. Além de tudo isso, Tom Cruise – mais doido que o normal – pinta e borda como um executivo de estúdio sem o menor escrúpulo. É um dos mais engraçados da temporada e não dá a mínima para a opinião dos críticos.

Bastante efetivo nas bilheterias, Trovão Tropical depende exclusivamente de seu elenco, que se auto-avacalha sem o menor problema. Entretanto sua melhor arma é Ben Stiller, que se mostra competente no comando e, diferentemente de seus companheiros, consegue separar as piadas das respostas conceituais quando fala de seu mais querido filho. O lançamento em Los Angeles foi uma zona por culpa do trio de estrelas, que não para de falar besteira e não deixou Ben Stiller em paz, mas, mesmo assim, alguma coisa se salvou no meio da bagunça!

Contém spoilers
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De acordo com Kiefer Sutherland, é só a série 24 Horas chegar ao fim que poderemos assistir a um filme temático. “Escrever a série é uma tarefa altamente complicada e os roteiristas fazem coisas fantásticas lá, mas não é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, explicou Sutherland em entrevista exclusiva ao SOS Hollywood. “Mas assim que encerrarmos o seriado, faremos o filme.” Mas aí vem a pergunta, quando? “Estamos em busca pela temporada perfeita. Quando isso acontecer, podemos dormir tranqüilos e tocar o filme.” Enquanto filma a sétima temporada de 24 Horas, Kiefer Sutherland segue firme na divulgação de seu próximo filme Mirrors, que já estreou nos Estados Unidos e chega ao Brasil em outubro.

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Introduce a little anarchy… Upset the established order… Well, then everyone loses their minds!

LOS ANGELES – Um dia ou um ano. Tanto faz o tempo disponível para escrever essa análise de Batman – O Cavaleiro das Trevas. A tarefa não se torna mais fácil ou menos complexa, não por ser um filme de difícil compreensão ou repleto de mensagens subliminares, muito pelo contrário, justamente por se tratar de um longa-metragem extremamente direto e agressivo. Que deixa o público sem saber como agir depois que o filme acaba. E isso assusta, transtorna e marca o espectador. O personagem pode ter nascido nos quadrinhos, mas pouco resta do herói arquétipo e da estrutura do formato impresso. Tim Burton que me perdoe, continuo adorando seus filmes, mas a história de Batman nos cinemas começa agora!

Mas…e Batman Begins? Christopher Nolan e Christian Bale definiram os novos parâmetros no primeiro filme, sem dúvida, mas ainda restavam traços das HQs. Vilões que precisam ser derrotados em prol do bem maior, um herói definia seus caminhos, tudo ainda era preto e branco. O que não tira os méritos do filme, mas deixa claro que foi uma preparação para a realização de O Cavaleiro das Trevas. É fato. E um filme que precise de um preâmbulo grandioso como Batman Begins não pode ser um produto qualquer. E não é.

Desde Sangue Negro não me deparava com uma trilha sonora tão presente e ameaçadora. Praticamente um personagem independente que apóia o elenco e tem seus momentos de grandeza, mas, como todo grande “astro”, sabe quando se retrair e desaparecer completamente. James Newton Howard e Hans Zimmer realizaram algo memorável com a trilha.

Se as composições ameaçam, o que dizer sobre o vilão mais antecipado do ano? O Coringa chamou a atenção desde a escalação de Heath Ledger e dividiu a opinião pública (por pouco tempo, diga-se de passagem) quando suas primeiras imagens foram divulgadas. O estúdio já começava a notar que tinha algo único nas mãos, mas, de repente, Ledger morreu em janeiro, e vários “especialistas” culparam a intensidade do Coringa no incidente. O mito estava criado.

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Sem dúvida, esse vai ser o principal chamariz para a maioria das críticas, pois a morte de Heath Ledger ofusca. Entretanto é inegável o fato de que, vivo ou morto, ele entraria para a história com a interpretação desse Coringa. Ele foi capaz de realizar em apenas um filme o que 90% dos atores de Hollywood gastam a vida inteira tentando: originalidade e transformação total. O ator desapareceu e, em seu lugar, surgiu uma figura que inspira medo e pavor, não apenas por suas próprias ações, mas por conta de uma sociedade que o criou e o tolera.

Diferente de todos os demais filmes sobre o Batman, O Cavaleiro das Trevas não foca no personagem de Bob Kane. Toda a campanha de marketing e o início do filme levam a crer que o elemento principal dessa trama é o Coringa, um assassino maníaco que desconhece limites para suas maquinações. No entanto há Harvey Dent, o novo promotor público de Gotham City. Num trabalho primoroso de Aaron Eckhart (Obrigado por Fumar!), ele destoa como verdadeira esperança para uma cidade aterrorizada pelo crime e, mesmo durante o rompante de violência promovido pelo Coringa, se mantém firme e desafiador.

É nele que os olhos do espectador devem ficar atentos. Um bastião mais importante que o próprio Batman e ideal o suficiente para inspirar gerações. Algo próximo do verdadeiro modelo do herói, sem capa ou superpoderes, apenas um homem comum aceitando a responsabilidade de agir no momento de necessidade. A campanha de marketing sabiamente focou no Coringa para despistar quem resolveu seguir os passos da “incansável caçada do Tenente Gordon ao criminoso” e utilizou Dent como elemento secundário. Ele, ou melhor, a cidade que representa é a verdadeira chave de O Cavaleiro das Trevas.

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Os elementos dos quadrinhos estão lá. Batman, Coringa, Gordon, batsinal e por aí vai. Porém Christopher Nolan fez algo que seus competidores da Marvel não ousaram (Homem de Ferro construiu um herói para a nova geração, cheio de tecnologia, bom-humor e adrenalina; Hulk esmagou, falou, esmagou mais um pouco e ponto). Ele criou um tratado social com seu novo filme, fazendo uma incisão sem anestesia num paciente apático que se vê acuado pela violência retratada no longa-metragem e pouco faz para combatê-la. Ou seja, o filme fala sobre nós. Pessoas. Até mesmo Gordon (em mais um grande trabalho de Gary Oldman) recebe seu quinhão da mazela ao se ver cercado por pessoas corrompidas e paga caro por isso. Não há escapatória se não esboçarmos uma reação.

O Coringa inspira medo e o trabalho de Ledger assusta. É algo visceral e cruel. Diferente da versão memorável de Jack Nicholson, que exibia certo charme e sutileza. Ledger é cru, mais próximo da realidade. Mas nada disso supera suas conquistas perante a população, que comprova sua tese: mesmo os mais nobres podem ser corrompidos. E vai além. Ele corrompe, manobra e entrega o “novo tipo de criminoso” que prometeu nos trailers. O que é mais sintomático: o psicopata assassino ou uma massa gigantesca de pessoas que teme um único homem?

Essa é a tônica de O Cavaleiro das Trevas. Um mergulho em direção aos medos de cada espectador, que é obrigado a imaginar como reagiria às situações extremas provocadas pelo Coringa. Essencialmente, é a jornada do próprio Batman, desde a traumática morte dos pais até a seqüência de relacionamentos infrutíferos. Agora, o Homem-Morcego coloca sua moral e seus conceitos em xeque por conta de seu novo inimigo. Como enfrentar alguém sem limites e manter sua própria sanidade? Christopher Nolan disse ter ficado receoso ao conceber o filme. Agora é possível entender. Fazer algo desse tipo requer muita coragem e causa calafrios em qualquer um.

E o pior de tudo: como tentar dormir em paz depois de ser confrontado com tamanha perturbação e veracidade? Esse é o legado de Heath Ledger, o legado do Coringa, o legado do medo e da genialidade.

Leia crítica do Judão aqui.

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(Por Fábio M. Barreto)

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LOS ANGELES – Hello, Stranger (Cher-eum Man-nan Sa-ram-deul, Coréia do Sul, 2007, 113min) começa de modo simples, com tomadas de árvores e uma pequena vila no Vietnã. Alguém grita por uma jovem desesperadamente. Não a encontra, grita seu nome e se cala. Mudamos rapidamente para a Coréia do Sul, onde um grupo de dissidentes do Norte termina seu curso de adaptação ao “novo mundo” do capitalismo e dos hábitos mais evoluídos. E é pela ótica desses imigrantes que o público é apresentado a Seul e à sensação claustrofóbica vivida por uma pessoa que não tem sequer a noção do que é um caixa eletrônico ou uma megastore. Esse filme foi um dos meus destaques do LAFF.

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Foram dez dias de festival. Mais de 230 filmes. Disputa por ingressos dos favoritos. Mostras internacionais, exibições públicas ao ar livre e profissionais de cinema respirando o mesmo clima durante todo o tempo. Tudo isso dentro de uma minicidade cinematográfica organizada no coração da Westwood Village. Assim aconteceu o Los Angeles Film Festival, um evento anual patrocinado pelo jornal Los Angeles Times, com o objetivo de reforçar a prolífica produção independente de uma Hollywood que o Brasil pouco conhece.

Embora os filmes dos grandes estúdios movimentem a maior parte da renda em Los Angeles, o cinema independente é responsável pelo trabalho de base ao treinar muitos dos profissionais e ao fornecer emprego e renda para empresas menores, como locadores de equipamentos, estúdios de mixagem e tantos outros segmentos que vivem em função do cinema. Com verba menor – mas ainda assim grande para os padrões brasileiros – e apoio de uma cidade que precisa de filmes para sobreviver, a produção independente é ininterrupta. Para este ano, por exemplo, 5000 filmes foram inscritos. 75% foram produzidos em Los Angeles.

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