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McG e Christian Bale assumem a responsabilidade de reativar a franquia criada por James Cameron, ao mostrar o confronto entre resistência humana e exterminadores da Skynet. O Exterminador do Futuro: A Salvação chega aos cinemas cheio de segredos, promessas e um debate sobre a essência da Humanidade.

Por Fábio M. Barreto
Correspondente em Los Angeles

Uma versão resumida dessa matéria foi publicada originalmente no Jornal do Brasil, na Capa do Caderno B, na última sexta-feira, dia 5 de junho de 2009. Foi minha estréia no JB, o que me deixou bastante feliz. Espero que outras venham! Confiram o texto! =D

SPOILERS

O Exterminador do Futuro: A Salvação (leia crítica oficial do SOS Hollywood aqui) tem um hype diferente. O filme mais arriscado da carreira de McG está na mira de um público especial: saem os internautas alucinados, entram os próprios atores e diretores de Hollywood. Ao lado do irresistível Star Trek, o novo capítulo na vida de John Connor, interpretado por Christian Bale, era o mais esperado pela classe, com declarações descaradas de gente como J.J. Abrams, Sam Raimi e Vin Diesel. Também pudera, o argumento de McG, e roteiro de Jonathan Nolan [não-creditado], mostra o episódio mais empolgante da luta contra a Skynet – a resistência humana.

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Manhê! Estou na capa da Rolling Stone!
Rolling o que, filho? =D

Maio foi um mês muito especial para mim, pois realizei meu grande sonho profissional. Publiquei meus dois primeiros artigos na Rolling Stone. Ano passado havia feito uma crítica de Cloverfield – Monstro, mas foi bem pequena e apenas uma opinião, coisa que faço todos os dias no site, no twitter, onde quer que alguém me pergunte. Agora foi diferente, bolei uma bela pauta cinematográfica (clique aqui) e entrevistei ninguém menos que Christian Bale, por causa de O Exterminador do Futuro: A Salvação (leia crítica aqui). Fiquei muito feliz. Realizar sonhos deveria ser comemorado mais que aniversário ou datas obrigatórias, aliás, por que não celebramos nossas realizações e grandes idéias, em vez de ficar se preocupando com idade ou Natal? Maio do ano que vem tem festa! =D

Enfim, abaixo segue reprodução de texto liberado no site da Rolling Stone (clique aqui para deixar um comentário lá no site da revista, se quiser) da entrevista com Christian Bale. Obrigado a todos por terem ajudado a realizar esse sonho e espero que gostem.

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John Connor sofre mais com o exagero de marketing do que com as armas da Skynet. Filme é perfeito para fãs, mas falha como obra cinematográfica.

SPOILERS

McG fez grandes promessas ao longo da produção de O Exterminador do Futuro: A Salvação. Prometeu batalhas inesquecíveis, personagens carismáticos, um futuro sombrio e a ascensão de John Connor. Quase cumpriu todas elas. Quase. A única coisa inteiramente provada pelo filme foi o respeito extremo do diretor a James Cameron e aos primeiros filmes da série. Tanta preocupação privou Salvação de ser um grande filme, para se tornar um quase sucesso. Complicado imaginar como um filme consegue ser perfeito e pífio ao mesmo tempo. Fabulosamente ligando pontos da história original e apático nas principais seqüências de ação. Assim é Salvação.

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Ignorando o último filme e fazendo de conta que a série nem existe, McG apresenta trechos de seu Terminator: Salvation, consegue boa recepção da imprensa de Los Angeles e parece estar no caminho certo para finalizar um grande filme. Mas não se engane, boa parte da culpa é de Christian Bale, que forçou uma nova versão do roteiro e não para de dar pitacos!

“A última coisa que eu queria era ver os atores olhando para bolas de tênis, atuando contra um fundo azul e me deixando nervoso na sala de edição com um monte de cenas fake” –McG

McG é um sujeito bem parecido com Zack Snyder. Próximo de seu público, sabe o que a imprensa pensa dele e, felizmente, tem noção de que não pode fazer bobagens. Especialmente depois de encarar o desafio de dirigir O Exterminador do Futuro: A Salvação, depois do desastre conceitual do último filme e do samba do crioulo doido com viagem no tempo da série de TV, Terminator: The Sarah Connor Chronicles. Esses são alguns dos fatores que, no mínimo, garantem um pouco de segurança para se falar do filme. Claro que Frank Miller jurava de pé junto que The Spirit seria fantástico, mas apanhou mais que terrorista preso nos Estados Unidos da crítica. De qualquer forma, McG deu a cara a tapa em Nova Iorque e em Los Angeles com o roadshow de O Exterminador do Futuro: A Salvação. Fui o único brasileiro presente no evento (se alguém mais publicar, pode apostar que foi tradução), que teve de tudo: cena nova, bate-papo informal com McG e até um fulano sendo retirado da sala de projeção por ter resolvido brincar com a câmera do celular. YAU!

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Introduce a little anarchy… Upset the established order… Well, then everyone loses their minds!

LOS ANGELES – Um dia ou um ano. Tanto faz o tempo disponível para escrever essa análise de Batman – O Cavaleiro das Trevas. A tarefa não se torna mais fácil ou menos complexa, não por ser um filme de difícil compreensão ou repleto de mensagens subliminares, muito pelo contrário, justamente por se tratar de um longa-metragem extremamente direto e agressivo. Que deixa o público sem saber como agir depois que o filme acaba. E isso assusta, transtorna e marca o espectador. O personagem pode ter nascido nos quadrinhos, mas pouco resta do herói arquétipo e da estrutura do formato impresso. Tim Burton que me perdoe, continuo adorando seus filmes, mas a história de Batman nos cinemas começa agora!

Mas…e Batman Begins? Christopher Nolan e Christian Bale definiram os novos parâmetros no primeiro filme, sem dúvida, mas ainda restavam traços das HQs. Vilões que precisam ser derrotados em prol do bem maior, um herói definia seus caminhos, tudo ainda era preto e branco. O que não tira os méritos do filme, mas deixa claro que foi uma preparação para a realização de O Cavaleiro das Trevas. É fato. E um filme que precise de um preâmbulo grandioso como Batman Begins não pode ser um produto qualquer. E não é.

Desde Sangue Negro não me deparava com uma trilha sonora tão presente e ameaçadora. Praticamente um personagem independente que apóia o elenco e tem seus momentos de grandeza, mas, como todo grande “astro”, sabe quando se retrair e desaparecer completamente. James Newton Howard e Hans Zimmer realizaram algo memorável com a trilha.

Se as composições ameaçam, o que dizer sobre o vilão mais antecipado do ano? O Coringa chamou a atenção desde a escalação de Heath Ledger e dividiu a opinião pública (por pouco tempo, diga-se de passagem) quando suas primeiras imagens foram divulgadas. O estúdio já começava a notar que tinha algo único nas mãos, mas, de repente, Ledger morreu em janeiro, e vários “especialistas” culparam a intensidade do Coringa no incidente. O mito estava criado.

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Sem dúvida, esse vai ser o principal chamariz para a maioria das críticas, pois a morte de Heath Ledger ofusca. Entretanto é inegável o fato de que, vivo ou morto, ele entraria para a história com a interpretação desse Coringa. Ele foi capaz de realizar em apenas um filme o que 90% dos atores de Hollywood gastam a vida inteira tentando: originalidade e transformação total. O ator desapareceu e, em seu lugar, surgiu uma figura que inspira medo e pavor, não apenas por suas próprias ações, mas por conta de uma sociedade que o criou e o tolera.

Diferente de todos os demais filmes sobre o Batman, O Cavaleiro das Trevas não foca no personagem de Bob Kane. Toda a campanha de marketing e o início do filme levam a crer que o elemento principal dessa trama é o Coringa, um assassino maníaco que desconhece limites para suas maquinações. No entanto há Harvey Dent, o novo promotor público de Gotham City. Num trabalho primoroso de Aaron Eckhart (Obrigado por Fumar!), ele destoa como verdadeira esperança para uma cidade aterrorizada pelo crime e, mesmo durante o rompante de violência promovido pelo Coringa, se mantém firme e desafiador.

É nele que os olhos do espectador devem ficar atentos. Um bastião mais importante que o próprio Batman e ideal o suficiente para inspirar gerações. Algo próximo do verdadeiro modelo do herói, sem capa ou superpoderes, apenas um homem comum aceitando a responsabilidade de agir no momento de necessidade. A campanha de marketing sabiamente focou no Coringa para despistar quem resolveu seguir os passos da “incansável caçada do Tenente Gordon ao criminoso” e utilizou Dent como elemento secundário. Ele, ou melhor, a cidade que representa é a verdadeira chave de O Cavaleiro das Trevas.

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Os elementos dos quadrinhos estão lá. Batman, Coringa, Gordon, batsinal e por aí vai. Porém Christopher Nolan fez algo que seus competidores da Marvel não ousaram (Homem de Ferro construiu um herói para a nova geração, cheio de tecnologia, bom-humor e adrenalina; Hulk esmagou, falou, esmagou mais um pouco e ponto). Ele criou um tratado social com seu novo filme, fazendo uma incisão sem anestesia num paciente apático que se vê acuado pela violência retratada no longa-metragem e pouco faz para combatê-la. Ou seja, o filme fala sobre nós. Pessoas. Até mesmo Gordon (em mais um grande trabalho de Gary Oldman) recebe seu quinhão da mazela ao se ver cercado por pessoas corrompidas e paga caro por isso. Não há escapatória se não esboçarmos uma reação.

O Coringa inspira medo e o trabalho de Ledger assusta. É algo visceral e cruel. Diferente da versão memorável de Jack Nicholson, que exibia certo charme e sutileza. Ledger é cru, mais próximo da realidade. Mas nada disso supera suas conquistas perante a população, que comprova sua tese: mesmo os mais nobres podem ser corrompidos. E vai além. Ele corrompe, manobra e entrega o “novo tipo de criminoso” que prometeu nos trailers. O que é mais sintomático: o psicopata assassino ou uma massa gigantesca de pessoas que teme um único homem?

Essa é a tônica de O Cavaleiro das Trevas. Um mergulho em direção aos medos de cada espectador, que é obrigado a imaginar como reagiria às situações extremas provocadas pelo Coringa. Essencialmente, é a jornada do próprio Batman, desde a traumática morte dos pais até a seqüência de relacionamentos infrutíferos. Agora, o Homem-Morcego coloca sua moral e seus conceitos em xeque por conta de seu novo inimigo. Como enfrentar alguém sem limites e manter sua própria sanidade? Christopher Nolan disse ter ficado receoso ao conceber o filme. Agora é possível entender. Fazer algo desse tipo requer muita coragem e causa calafrios em qualquer um.

E o pior de tudo: como tentar dormir em paz depois de ser confrontado com tamanha perturbação e veracidade? Esse é o legado de Heath Ledger, o legado do Coringa, o legado do medo e da genialidade.

Leia crítica do Judão aqui.

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(Por Fábio M. Barreto)