Arquivo da categoria ‘Literatura’

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Escrevi esse conto há alguns anos ao lado da minha querida Silvia Penhalbel, além de cunhada, uma grande amiga. Como Harry Potter e o Enigma do Príncipe se aproxima e já que tem um pessoal fã de Potter passando pelo site nessa semana por causa da matéria da Emma Watson na Capricho, é uma boa oportunidade para difundir um pouco mais de literatura por aí.

Com vocês, Acerto de Contas, de Silvia Helena Penhalbel e Fábio M. Barreto, um conto ambientado no Universo de Harry Potter. Os anos se passam e a história continua me deixando cativado. Belas ilustrações de Octavio Aragão, autor de A Mão Que Cria! Espero que gostem! =D

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Na década de oitenta, eu matava em média uma dúzia de adolescentes por ano. Isso é ser retardado? Vocês fazem idéia da dificuldade que é elaborar aquelas emboscadas no meio do mato? – Jason Vorhees

Ninguém me entende, minha mãe morreu e eu gosto de matar mulheres gostosas e adolescentes idiotas. Se bem que o fato de que eu gosto apenas de matar as mulheres gostosas é meio incompreensível para mim também. Mas a vantagem de você andar com um facão e uma máscara de hóquei pelo meio do mato automaticamente lhe dá o direito de fazer coisas incompreensíveis, já que quase ninguém aparenta estar disposto a lhe contrariar. Aliás, vocês deveriam tentar, se tiverem oportunidade. Especialmente a parte dos adolescentes.

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Definitivamente, existe esse tema na minha obra ficcional que possibilita ao personagem atravessar um portal e chegar a outro lugar que, embora semelhante ao nosso, seja totalmente diferente – Neil Gaiman

Entrevistar Neil Gaiman sempre foi um sonho. Livros como Deuses Americanos, Os Filhos de Anansi e o desbunde visual de Stardust, ao lado de Charles Vess, foram alguns dos títulos que marcaram minha vida e carreira, isso sem contar Sandman. Tudo, claro, por conta do jeito como Gaiman consegue retratar o mesmo tema (na maioria dos casos) com vitalidade e maestria. Confesso que quando recebi o email convidando para a junket de lançamento de Coraline fiquei bastante ansioso, afinal, Neil Gaiman estava entre os presentes e, se fosse aprovado, realizaria mais um sonho.

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A noite fresca avança sem pressa.

A luz fraca ilumina a sala de leitura. Sombras estáticas compõem o cenário marcado pelos móveis escuros, de madeira maciça e estofado de couro lustroso. Não venta e apenas algumas folhas da árvore perto da grande janela se movem quando a brisa passa.

O som da velha Remington ecoa pelo ambiente, lutando contra o silêncio e a calma tão comuns àquele lugar. Toc. Toc. Toc. Toc. Uma palavra. Toc. Toc. Toc. Mais uma. E as folhas de sulfite ganham nova forma, tatuadas ao bel- prazer dos caracteres de chumbo. A batida é forte, a fita de duas cores com a camada preta já gasta sobe, o papel cumpre sua função. Toc. Toc. To…

O pensamento é interrompido. Você dorme no divã ao lado. Penso em seus sonhos, como foi seu dia, se gostou do jantar que preparei. A boca entreaberta permite que palavras não ditas ganhem o ar. Seus lábios se movem, mas sem som. Algo importante acontece em seus devaneios.

Toc. Toc. Toc. Tic. Toc. Toc. A datilografia continua. A caneca de chocolate quente com licor irlandês e biscoitos espalham seu aroma adocicado e reconfortante no canto onde está a escrivaninha. Cada uma de suas gavetinhas contém uma história, uma função, um momento em que elas deixaram de ser peças inanimadas para inspirar algumas daquelas letras. Toc. Toc. Uma interrupção. Como descrever a maçaneta daquela porta tão importante na trama? Os dedos tamborilam e os olhos deslizam pelo cenário e fixam-se no pequeno puxador da gaveta no topo direito superior. O puxador parece aumentar, ganha proporções de gente grande, ali não existe mais uma gaveta. Agora é uma porta e ela leva à solução da história. Seus detalhes deixam a simples realidade de um pedaço de mobília para ganhar a eternidade. Toc. Toc.

O papel cumpre sua função. As últimas batidas de algo que começou há anos. Milhares de páginas tatuadas pela eternidade. Borrões em algumas delas, outro grande número de folhas amassadas no cesto de lixo. Não há espaço para erro ou desleixo. Toc. Tic. Toc. Toc. Toc. Os dedos estão cansados. Você continua dormindo.

Uma das bonequinhas se move na grande poltrona almofadada. Ninguém percebe. Ela se move novamente e, em instantes, um cachorro de pelúcia se junta a ela. Ambos olham para você. Seus olhos de acrílico eternamente fixos contemplam seu sonho, pensativos, profundos, imutáveis. Eles devem ter trocado confidências sobre o que viam, coisa de bichos de pelúcia, os melhores companheiros. Sempre dispostos, sempre presentes. Para rir e se molhar, voar pelo ar ou perder um braço – ou uma asa, no caso das fadas – sempre que necessário. Mas sem nunca reclamar. O som da máquina de escrever fica mais leve. Tec. Tec. Tic. Tec…

Um gole de chocolate quente anima o espírito. Uma recompensa merecida. Falta um parágrafo. O gosto do licor provoca lembranças boêmias, das noites sem dormir – sempre escrevendo – e dos poemas imaginados durante as perambulações na vila. Lembranças. Muito tempo atrás. Antes de você. Antes do peixe-palhaço que, agora, compartilhava a poltrona com o pug maltrapilho, a bonequinha e uma caixa misteriosa. Perplexidade. Por alguma razão, o relógio entra no campo de visão. É madrugada. O olhar se volta para você.

Você ainda dorme.

Os dedos deslizam pelas teclas da Remington com leveza e deleite. A pilha de páginas ao lado ganha a importância de um troféu. Um grande prêmio, como se todas aquelas folhas fossem uma preparação para aquelas últimas linhas. Tec. Tec. Tic. Tec… enfim, a conclusão. “Ele tomou a decisão que mudaria o mundo”. Toc. Ponto Final.
Girar o controle de pressão da folha para retirá-la da máquina foi instintivo. Era a última. A página suspensa em frente aos olhos, como a um filho recém-nascido. Um respiro profundo valoriza o momento. A cadeira de couro marrom rodopia na sua direção para apresentar o rebento, mesmo que de forma silenciosa. O movimento chamou a atenção para a poltrona com seus ocupantes misteriosos. vazia. Como se nada tivesse acontecido. Um sonho acordado talvez? O giro se completou.

Você ainda dorme, mas não está mais sozinha. O cachorro, o peixe, a fada, um par de sapatos, uma boneca gigante e a tal caixa misteriosa ficam ao seu redor. Um cenário improvável. Licor demais? Sono atrasado? Devâneio provocado pela felicidade do momento? E foi quando ela apareceu.

A pequenina surge em meio aos brinquedos passeadores. Ela a idolatra, contempla e falava baixo com seus amigos inanimados sem ligar para o horário ou para a escuridão. Olha para mim. Seu sorriso angelical cruza a sala. Eu sei o que vai acontecer. Você não.

“MAMÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEE!”

A noite é uma criança.

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Fui convidado para participar de um projeto blog/literário há um tempo. Para entender do que se trata. Clique na foto acima e leia o blog, começando pelo primeiro post – de baixo para cima – e siga lendo em ordem cronológica. Claro, tudo começou no Champ. Aqui vai minha contribuição.

For Your Eyes Only

*O relato a seguir é parte do dossiê do caso Villenflusser, atualmente arquivado no departamento de casos não-resolvidos da Scotland Yard, que ainda assombra as autoridades paulistanas, e resgatado dos servidores de um dos antigos serviços de blog brasileiros, encontrado no endereço [censurado para divulgação pública].blogspot.com*

Hoje tive mais um daqueles sonhos. Fiquei preocupada e, sinceramente, não sei o que fazer. Liguei para a Aninha para encontrar apoio, mas nem ela agüenta mais minha tristeza por causa do Maurício. O que será que eu fiz de errado para Deus? Jogar pedra na cruz é pouco, acho que eu roubei o corpo e fui vender os trapos no E-bay da Judéia!

(Não, você fez por merecer e ninguém mais quer te ouvir reclamar da vida. Suas decisões, seu destino. Aprenda a viver com isso.)

Esses pesadelos estão me incomodando, sabe. Não contei para ninguém e nem sei por que estou escrevendo no blog. Ninguém vai ler mesmo. Não sei nem por que me dou ao trabalho de ter um blog. Ai quanta bobagem. Mas continuo triste. Como o Maurício fez isso comigo? Mulher grávida? O que ele esperava? Que eu entendesse tudo? Canalha! E ainda vem querer me dizer que pode explicar e que quer ficar comigo! Filhodap…! Ele … [censurado para divulgação pública] … e me paga!

(Aposto que se ele te colocasse na parede agora você não pensaria duas vezes antes de abrir as pernas e tentar sugar até a alma dele, não é?)

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Vou falar de Tolkien e Lewis por causa de um comentário curioso, mas antes tenho algo a esclarecer. Este blog não é um daqueles fenômenos de internet que atraem gente de todo canto e entope os comentários com um monte de “adorei seu blog, parabéns, ou blablá”. O pessoal que chega aqui chega por uma razão, quer saber e falar sobre cinema hollywoodiano – que é onde eu moro, então falar do que não é feito ou lançado por aqui é secundário, embora eu goste de filmes de outros lugares, especialmente da Inglaterra – ou é amigo, membro da família, coisas assim. O que acontece é que sempre tem gente conhecida e, quando alguém novo surge, algumas explicações podem, ou não, ser necessárias, afinal, leva um tempo para conhecer alguém e algumas “opiniões” podem não transmitir aquilo que realmente penso, especialmente pelo fato de eu tirar barato de muitas situações aqui. Afinal, estamos no Judão, certo?
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A batalha estava próxima,
Mas ela ainda não sabia.
Os rumores da guerra tomaram a vila.
Calmo ele permanecia.

A primavera chegara.
E com ela a guerra.
Senhores e servos.
Pobres e ricos.

Não haveriam rosas brancas,
Aos pés daqueles que morreriam.
Não eram bolos de viagem,
Nas mãos daqueles que não regressariam.

Seu espírito clamou.
E ela atendeu.
Para seu amado, nada de frivolidade.
Ela não queria piedade.

Para vê-lo retornar,
Oferenda melhor não havia.
E, no fundo, ele sabia,
Que precisaria lutar.

No dia da partida houve comoção.
Mulheres choravam com emoção.
Guerreiros partiam já saudosos.
Seus filhos olhavam curiosos.

Esperança e temor eram sua bagagem.
Debaixo das armaduras antigas.
E do couro surrado.
Levavam amuletos e forragem.

Um deles parecia não temer.
Sua partida parecia encantada.
Os passos de seu cavalo faziam o chão tremer.
Em sua bainha, estava a espada de sua amada.

Lu

*Esse foi um dos mais belos que já escrevi para você! Lembre-se!*