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Supernatural desbanca todas as demais séries com o melhor final de temporada do ano. A TV nunca mais será a mesma depois do sucesso dos irmãos Winchester. Amém!

SPOILERS!!!

A entrada de Supernatural na mitologia cristã era arriscada, embora lógica. Anjos em dúvida, deus ausente, demônios prontos para libertar Lúcifer de seu cativeiro eterno. No meio disso, claro, Dean e Sam Winchester disputavam sua própria guerra psicológica envolvendo fé, confiança e controle. Não poderia haver conclusão mais acertada para uma quarta-temporada irreparável e, como sempre, acima da média da TV norte-americana. Lucifer Rising abre as portas para o renascimento do Anjo Caído, mas, acima de tudo garante o melhor cliffhanger do ano.

Quando o anjo Castiel chegou na vida de Dean e Sam, um novo horizonte dramático despontou em Supernatural. Nada de asas brancas, armaduras brilhantes ou espadas flamejantes. Muito poder… e dúvida pairava sobre as cabeças angelicais. Era o presságio da Guerra entre Bem e Mal, o combate supremo quando lealdade absoluta seria necessária. Supernatural nunca funcionou em termos absolutos. Talvez na primeira temporada, por falta de base prévia, mas sua evolução afastou qualquer possibilidade de uma dicotomia dogmática, exatamente como a cristã.

Lucifer Rising rompe não só com qualquer laço de simpatia em relação aos anjos como também define novas regras para os irmãos Winchester. Bem, velhas regras, na verdade, já que confiar apenas na família nunca deveria ter saído de moda. Sam passou pelo pior dos processos e pouco pode fazer quando seu grande momento chegou. Foi manipulado até a última gota de sangue. Literalmente. Pobre Sam, mesmo perante o Mal absoluto, continuou o bom moço, o paladino alienado. Dean, por sua vez, não fez melhor em sua jornada de serviço em nome de deus. Afinal, como servir bem e fielmente a um todo-poderoso ausente, cujos arautos pregam destruição imediata para garantir paz eterna? Dean não funciona assim. Ninguém deveria, nem humano nem anjo.

Lealdade é termo fundamental nessa reta final. Os Winchester racham: missão e família são objetivos facilmente dissociados. A sua maneira, cada um jura lealdade a algo diferente, algo extremo, alienígena ao modo como foram criados. Ficam cegos perante o grande plano, a enganação suprema na qual não passam de peões no tabuleiro. Lucifer Rising esclarece tudo, ratifica a necessidade por lealdade, e cria o cenário perfeito para o pior ano de nossas vidas, pois, a partir do primeiro episódio da quinta temporada, não sobrará pedra sobre pedra.

Os roteiros geniais de Supernatural já mencionaram o “Evangelho de Winchester”, porém, tem diante de si a árdua tarefa auto-imposta de trazer ao mundo o Apocalipse. Mas, diferente da versão de João, dois irmãos podem salvar a Humanidade. Tanto do céu, quanto do inferno. É o início do fim dessa jornada sobrenatural, que, por questão de honra e qualidade, precisa acabar na quinta-temporada. Afinal, como superar o fim do mundo? Triste, mas lógico. Quase necessário. Graças a D… Dean e Sam.

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PS: notaram que a música tema dessa temporada, Carry On Wayward Son, do Kansas, conta TUDO que aconteceria com Dean e Sam durante a série? A frase “Don’t you cry no more” é sob medida pro Sam. E o que foi “Ele tá vindo!”, com voz de pânico, me diz? UHAHUHUAHUA =D

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