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Charlie Sheen conhece os dois lados da moeda. Quase morreu de overdose por conta dos exageros que a fama lhe conferiu, se levantou e agora faz o mundo rir como Charlie Harper, o playboy mais invejado de Malibu na série Two and a Half Men.

Você ficaria empolgado ao saber que Ramon Estevez e seu filho Carlos Irwin Estevez resolveram aparecer num jantar na sua casa? Provavelmente não, afinal de contas, quem são esses dois? Tudo mudaria de figura quando Martin e Charlie Sheen aparecessem na sua porta! Carlos, ou melhor, Charlie não tem medo de discordar do governo, se orgulha de ter saído do fundo do poço onde ficou por alguns anos e hoje é um dos comediantes mais respeitados, e bem pagos, da televisão. Aos 43 anos, o astro de Two and a Half Men ainda tem muito energia para queimar e risadas para provocar.


Embora tenha nascido em Nova Iorque, Charlie Sheen tem bastante quilometragem na bagagem, afinal, demonstrou interesse pela carreira do pai e o seguiu em muitas de suas viagens de trabalho e acabou crescendo em Santa Monica, perto de Los Angeles. Numa dessas viagens, em 1979, Sheen estava por perto quando seu pai sofreu um ataque cardíaco quase fatal durante as filmagens de Apocalipse Now, nas Filipinas. Alguns anos antes, em 1974, atuou profissionalmente pela primeira vez em A Execução do Soldado Slovik, drama de guerra feito para TV estrelado por Martin Sheen, que solicitou a presença do filho no elenco.
O ritmo extenuante das filmagens e o incidente médico com pai não reduziram a vontade de Charlie em relação à atuação. Ele continuou se preparando para a profissão mesmo durante o colegial, quando também foi uma das estrelas do Vikings, time de baseball da Santa Monica High School. Mesmo sendo exímio arremessador, Charlie foi expulso da escola semanas antes de sua formatura por conta de baixa assiduidade e notas ruins. Durante esse período, fez amizade com Rob Lowe e Sean Penn, com quem realizou diversos filmes amadores em Super-8.
Esse pequeno desvio só fez com que Charlie focasse em sua carreira como ator. Em 1984 veio o primeiro papel com o drama adolescente de guerra Amanhecer Violento (Red Dawn), que estrelou ao lado de Patrick Swayze, no qual um grupo de estudantes forma uma guerrilha contra os russos, que invadiram e tomaram metade dos Estados Unidos. Um daqueles clássicos da Sessão da Tarde. No mesmo ano, ganhou destaque no drama para televisão Silence of the Heart.
A carreira como ator de filmes adolescentes serviu bem como, mas nada superou o empurrãozinho que Martin Sheen deu para o filhão. O início da carreira de Charlie foi marcado pela participação em diversos filmes para TV estrelados por Martin. O mais célebre foi o bíblico O Quarto Sábio, no qual Martin Sheen vivia o quarto rei mago que continuava em busca de Jesus Cristo. Aliás, Ramon Estevez, irmão mais velho de Charlie, também participou da produção.

Depois de chamar a atenção no perturbador The Boys Next Door, Charlie Sheen fez um pequeno papel no filme adolescente mais emblemático dos anos 80: Curtindo a Vida Adoidado. Ironicamente, interpretar um jovem drogado, preso e altamente mulherengo foi algo profético em termos de vida pessoal anos mais tarde. Antes disso, porém, a fama estava a caminho.
O primeiro grande papel de Charlie Sheen foi um dos maiores clássicos de guerra do cinema. Oliver Stone selecionou-o para estrelar Platoon, em 1986, no qual viveu o recruta Chris Taylor em meio a toda violência e loucura da Guerra do Vietnã. A obra faturou o Oscar de Melhor Filme e Diretor em 1987 e Sheen começou a estrelar diversos filmes.
Entre eles estava Wall Street – Poder e Cobiça, em 1987, novamente dirigido por Oliver Stone e co-estrelado por Michael Douglas, numa de suas interpretações mais inspiradas. O amor entre Sheen e Stone, porém, durou pouco e o que parecia ser uma parceria de sucesso acabou abruptamente quando Nascido em Quatro de Julho começou a ser produzido. Charlie Sheen fez testes para o papel e tinha o trabalho como certo, porém, Stone chamou Tom Cruise e sequer ligou dispensando Sheen. Quem deu a desagradável novidade ao ator foi Emilio Estevez, seu irmão. Eles nunca mais trabalharam juntos. Stone ganhou o Oscar de Melhor Direção pelo filme e Tom Cruise foi indicado a Melhor Ator, mas perdeu para Daniel Day-Lewis em Meu Pé Esquerdo.
Depois de tantos papéis sérios, como em Os Jovens Pistoleiros e Um Profissional do Perigo, Sheen descobriu uma nova vertente para seu trabalho: a comédia. Top Gang – Ases Muito Loucos estreou com tudo em 1991. Coincidência ou provocação planejada, a vítima da sátira foi ninguém menos que Tom Cruise, astro de Top Gun – Ases Indomáveis, que havia lhe tirado o papel em Nascido em Quatro de Julho.
Entretanto, esse foi um dos últimos momentos felizes na década de 90 para Charlie Sheen. Filmes como Os Três Mosqueteiros e Top Gang 2 foram bem recebidos, mas seu envolvimento com drogas e bebida já era público e notório. Em pouco tempo, ele começou a passar por clínicas de reabilitação, mas sem sucesso. Para complicar a situação, Sheen teve dois casamentos curtos e turbulentos e foi envolvido no caso da “Madame Hollywood” Heidi Fleiss, cujas acompanhantes Sheen contratava por US$ 2.500 por noite. Mas o fundo do poço ainda estava por vir.
Debilitado e sem rumo, inevitavelmente, seus filmes foram afetados e ele começou a amargar fracassos de bilheteria, entre eles A Invasão (1996), Conspiração e Tudo Por Dinheiro (ambos de 1997). Ele deveria achar que quantidade traria nova exposição, mas não deu certo de jeito nenhum. Em maio de 1998, Sheen foi hospitalizado por conta de uma overdose quase fatal.
A virada começou com o trabalho no surrealista Quero Ser John Malkovich (1999), de Spike Jonze, com John Cusack e roteiro de Charlie Kaufman. Era um presságio de que boas novas viriam com novo milênio. Conheceu a beldade Denise Richards no set de filmagens de O Segredo do Sucesso (2001) e casaram-se em junho de 2002. Foi no mesmo ano que Michael J. Fox deixou o elenco de Spin City por conta de sua condição física e Charlie Sheen voltou a fazer uma boa comédia, desta vez na televisão.
O trabalho em Spin City foi essencial para a reviravolta de Sheen, já que a CBS precisava de uma nova série masculina e Two and a Half Men estava em desenvolvimento. Mulherengo, badalador, exagerado e chegado na birita, Charlie Harper caiu com uma luva para Sheen que pode, ao mesmo tempo, lavar a alma e mostrar tudo que sabe. Ele brinca A série é uma das melhores em exibição no horário-nobre, tem níveis altíssimos de audiência e Charlie Sheen é um dos atores mais bem pagos da atualidade. Ele ganha US$ 350 mil por episódio. Curiosamente, Jon Cryer, que vive Alan Harper, o irmão tapado, trabalhou com Sheen no primeiro Top Gang [cujo nome original é Hot Shots!, vai entender].
Depois de todas as provações pelas quais passou, Charlie Sheen é um sujeito cada vez mais interessante. Por ser um ator, as pessoas esperam que a parte mais interessante de seu dia seja o trabalho, porém, ter a oportunidade de sentar com ele e conversar sobre teorias da conspiração é algo divertidíssimo. Experimente falar sobre os ataques terroristas de 11 de setembro! Ele é daqueles que acredita que a versão oficial seja muito simplificada e imprecisa, acompanha o assunto e defende uma nova investigação sobre o caso. “Se o povo não pressionar, continuaremos sendo enganados. Como ator não engano as pessoas, colaboro para um dia mais divertido. Nesse caso estamos falando de vidas perdidas e com a vida não se brinca”, disse Sheen. Essa é uma lição que ele aprendeu a duras penas e, agora, aproveita cada minuto de sua vida.

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