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Filme estrelado por Hugh Jackman fatura alto nas bilheterias, causa furor jornalístico, mas não fez mais que a obrigação.

É praticamente impossível encontrar um veículo de imprensa que não estampe a notícia de que X-Men Origens: Wolverine foi o campeão de bilheterias do fim de semana, com cerca de US$ 87 milhões. Massacrado pela imprensa mundial, feito para atrair jovens espectadores e dono de uma das maiores campanhas publicitárias do ano, o filme estrelado por Hugh Jackman teve vida fácil em sua estréia, pois precisou vencer uma comédia boba e pequena da New Line, Ghosts of Girlfriends Past, e um thriller sensual Obsessão, estrelado por Beyonce e Ali Larter. Convenhamos, Wolverine lutou contra o vento em sua abertura. Mas pouca gente parou para pensar no real significado dessa bilheteria.

Além de ter faturado menos que X-Men: O Conflito Final (cerca de US$ 16 milhões a menos), estrategicamente, Wolverine precisava levantar os ânimos da Fox. Para isso, definiram o filme do Carcaju como algo assistível por crianças, sem sangue e mais aventura do que ação. Valia tudo para transformar esse filme no primeiro grande sucesso da temporada de blockbusteres: caixas de pizza, outdoors, Hugh Jackman chegando de moto na premiére de Los Angeles, campanha maciça na TV, trailers e tudo que um filme poderia ter por aqui.

A campanha, porém, começou ano passado, quando Hugh Jackman apareceu de surpresa na Comic-Con para apresentar algumas cenas e encantar o público. Ele é o responsável por essa bilheteria. Seu carisma é inegável e seu trabalho na trilogia dos mutantes garantiu público fiel para seu trabalho solo, entretanto, o projeto falhou. Crítica desagradada – no Brasil, parece que só Rubens Ewald Filho gostou –, público especializado altamente insatisfeito e resta ao espectador casual, e bem mais jovem, apreciar a direção de Gavin Hood (que fez bom trabalho em O Suspeito, sem contar seu Oscar por Tsotsi). As pessoas que foram atraídas ao cinema para ver Hugh Jackman não podem se decepcionar. Mesmo sendo alto demais para o papel, como brincou na Comic-Con, seu Wolverine ajudou Bryan Singer a salvar a vida das adaptações de quadrinhos e fez história.

Entretanto, o projeto “Origens” está em risco. Semana que vem, quando Star Trek chegar às telas e arrebentar nas bilheterias e derrubando Wolverine em cerca de 40% (afinal, o mutante vai perder no boca a boca e lutará para chamar a atenção em suas 4.099 salas), a Fox vai passar por mais um reality check e quem sofre é Magneto, o outro personagem anunciado para a série. Afinal, Hugh Jackman consegue atrair as mulheres, seu personagem é forte o suficiente para fazer o fã de X-Men assistir, mas como Ian McKellen vai fazer tudo isso, teoricamente, sozinho?

O bom momento das adaptações se deve a boas escolhas. Ao contrário do que alguns críticos defendam, Watchmen não foi erro – o erro foi deles ao se limitarem a comparar o filme de Snyder com outros do gênero – e certa está a Marvel ao cuidar de seus personagens da forma como fez com Homem de Ferro. Banalizar um gênero de demorou tanto para fazer sucesso pode ser um tiro no pé que, infelizmente, a Fox pode estar disposta a arriscar. Independente de ser um filme solo, Wolverine é o quarto com um mesmo personagem. Na história recente, ele é o personagem com mais filmes em menos de uma década [o primeiro longa data de 2000]. E também dentro de uma temática popularizada ao extremo com Heroes, Push e até mesmo com novela na Rede Record.

Fox é um estúdio desesperado por um novo sucesso. E nem todos os esforços de Carlos Saldanha, em mais uma investida de Era do Gelo, são suficientes para manter a casa da raposa financeiramente feliz. Os tempos são de crise, mas o estúdio precisa acreditar em seus diretores, assim como fizeram Paramount, com JJ Abrams; Warner, com Christopher Nolan; Marvel, com Jon Favreau; Universal, com Guillermo Del Toro; e até mesmo a Sony, com McG. Cinema é realizado por um comandante, não pela Liga dos Anciãos Milionários e seus produtores metidos a artistas.

Seguir os exemplos que deram certo pode ser um bom caminho, mas tempos desesperados pedem ações desesperadas. Está mais do que na hora de a Marvel tomar o controle sobre títulos pertencentes à Fox, antes que tenhamos que sofrer com mais um Quarteto Fantástico ou estraguem o Demolidor. Como El Cid disse, aqui, para que fazer filmes que não acrescentem nada ao personagem ou a seu universo? Cinema é entretenimento, mas isso não é desculpa para gastar tanto, por nada. Por definição, Wolverine não funciona no mundo politicamente correto. Essa versão cinematográfica não tem força para se manter no topo e, infelizmente, só serve para vender bonequinhos. E só a Fox não percebeu isso.

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