Mais Velozes, Mais Furiosos e Cheios de Clichês!

Publicado: 04/04/2009 em Cinema, Críticas, Entrevistas, Exclusivo
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Velozes e Furiosos 4 pisa fundo para tirar o fôlego do público, reascende a estrela de Vin Diesel e leva fácil o prêmio de filme mais cheio de clichês da temporada. Mas alguém realmente vai se preocupar com isso? Acelera e manda bala!

Por Fábio M. Barreto, de Los Angeles

O discurso de Vin Diesel é claro ao receber o SOS Hollywood no topo do Arclight, em Los Angeles. Fez Velozes e Furiosos 4 para os fãs. Os carros principais utilizados no filme completam o ambiente que, embora frio e com vento constante, ganha seu charme quando os motores do Dodge Charger, Gran Torino e do Camaro atraem a atenção de todos. “Os fãs fizeram dessa franquia um sucesso e sempre se importaram com Dom, então, por que não fazer isso por eles?” Tudo começou com uma ponta no final de Desafio em Tóquio, trabalho que realizou para divulgar uma música da República Dominicana e também garantiu Diesel como produtor de Velozes e Furiosos 4. Justin Lin retorna à direção da franquia, com Paul Walker, participação curta de Michelle Rodriguez e Jordana Brewster.

Velozes e Furiosos 4 acontece entre os dois primeiros filmes. Paul Walker ainda não se aventurou na Flórida ao lado de Tyrese Gibson e Han (Sung Kang) ainda não se envolveu com o drifiting em Tóquio. A coisa toda começa na República Dominicana, onde Dom e seus amigos roubam caminhões de combustível. A cena de abertura é doida até o último segundo, com as devidas doses de impossibilidade física e arrojo de Dom. Afinal, qual a grande razão desse novo filme que não o reencontro do personagem com a platéia? Faltou carisma no terceiro filme, o maior caça-níqueis dos três, sem dúvida. Só Vin Diesel poderia recuperar o charme, sem dúvida.

Mas nem tudo foi alegre e jovial nesse retorno. “Espero que da próxima vez eu seja consultado”, disparou Paul Walker, sem pensar duas vezes. “O conceito de tudo isso é meu, da primeira vez, perguntaram qual filme eu gostaria de fazer. Li uma reportagem sobre rachas um pouco antes e sou apaixonado por carros, então sugeri o argumento para a história. Dessa vez, chegaram em mim com um roteiro pronto, Brian no FBI [coisa que nunca aconteceria], e tudo foi muito estranho”. Além disso, o filme também sofreu com a greve dos roteiristas, que dificultou a implementação das mudanças exigidas por Walker no roteiro final, entre elas, o estilo de Brian enquanto trabalhava pelo FBI e os carros dirigidos por ele durante as corridas.

Esse filme não é um primor em termos de roteiro, e nem poderia, afinal, pode ser uma espécie de O Retorno de Jedi, que requenta o primeiro filme da série, mas, assim como na obra de George Lucas, tem seu charme e cumpre seu papel. A campanha publicitária chama a atenção para Modelo Novo, Peças Originais, mas há muita inventividade saindo da cabeça de Justin Lin, seja em termos de cacarecos para os carros [como um GPS interativo de fazer inveja] ou em lugares malucos para criar suas corridas [vale até túnel clandestino na fronteira USA/México, uma das seqüências inesquecíveis do filme, aliás].

Entretanto, é na edição que Velozes e Furiosos 4 mostra suas garras. O trabalho é primoroso, quase artístico, especialmente nas cenas de corrida e explosões. “Usamos a menor quantidade possível de efeitos nas batidas e cada porrada do filme envolveu carros de verdade. Na cena da saída do túnel, ‘gastamos’ seis carros e só conseguimos fazê-los rodopiarem para o lado certo na última tomada. Foi por pouco”, comenta Lin, que precisou reeditar praticamente todas as cenas mais de cinco vezes para conseguir o resultado final. “As primeiras pareciam boas, mas não faziam sentido físico ou soavam totalmente inventadas. O importante aqui era criar as seqüências de modo verossímil e lógico, além de deixar todo mundo de queixo caído, claro. No começo tudo era muito cinemático e grandioso, mas ninguém gostou”. A alta velocidade envolvida no filme e todo o trabalho dos “pilotos” provocou todo esse cuidado, afinal, tudo que o público de Velozes e Furiosos não gosta é de cenas truncadas ou sem sentido. É o quase vídeo game, a simulação em carne e osso, então tudo tem que acontecer de acordo.

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Por falar em pilotos, Paul Walker – o piloto de verdade do elenco – não poupa “elogios” a seu colega estelar, Vin Diesel. “Ele não sabe dirigir. Sério, só faz pose e mal sabe ligar o carro”, diz em meio a gargalhadas alucinadas. “Tive que ensinar a ele como cambiar um carro manual, foi uma tragédia e ele não aprendeu nada depois do primeiro filme”. A brincadeira de Walker reflete a boa relação entre o elenco, mas também é fruto de sua experiência como piloto e colecionador de carros [ele possui mais de 30 carros, armazenados num hangar em Chino Hills, perto de Los Angeles]. “O que vemos na tela não condiz muito com o comportamento de um piloto real, pois precisamos estar muito concentrados e, de certa forma, relaxados o suficiente para não errar. Vin faz muita pose, valoriza o braço esquerdo e eu preciso exagerar bastante para transparecer grande esforço, trabalho e dramaticidade para a cena. Quando dirijo de verdade é outra história, minha mente mergulha em alguma música do Cold Play e tudo é mais instintivo e discreto”.

De certa forma, todo mundo se dá bem no filme. Paul Walker proporciona cenas inesquecíveis, especialmente como oficial do FBI quando realiza o “cala boca” mais formidável dos últimos anos e Vin Diesel cumpre o que promete. Quem se deu mal foi Michelle Rodriguez, que dificilmente volta para um quinto filme. “Está na hora de aparecerem heroínas que saiam por cima no final do filme, sabe? Por que Telma e Louise precisam se jogar no precipício? Notaram que a gente sempre se sacrifica no final de tudo?”, reclamou a desbocada Michelle, que participa de um dos momentos mais belos e românticos do filme, logo no comecinho. “É por isso que vou começar a me concentrar em escrever roteiros, para mostrar mulheres de verdade, não essas ferramentas dramáticas para o roteiro. Está na hora dos homens se sacrificarem ou pouco, ou então lutarem ao nosso lado.”

Esse é aquele tipo de filme que entrega exatamente o que o público precisa: velocidade e adrenalina. Há um pouco de romance, mas o que importa mesmo são as corridas e imaginar como Dom e Brian vão arrebentar com o vilão da vez. Mas é inegável que Velozes e Furiosos 4 é o campeão de clichês da temporada. Isso poderia ser ruim, mas fica até engraçado adivinhar qual a próxima frase feita [do tipo: ela fez isso por você / sua carreira já era] ou cena manjada. Entretanto, enquanto os motores estão ligados e os carros acelerando, ninguém se importa, além do bom-humor ser bem-vindo. Nada de ficar em casa jogando GTA, não quando o melhor simulador de velocidade, rachas e quebra de leis está nos cinemas. E Vin Diesel não precisa de um taco de baseball para resolver suas pelejas, ele usa seu Dodge como ninguém, seja para salvar um amigo do perigo, dar cabo de um bandido ou simplesmente parecer cool.

Pode conferir no cinema sem medo de ser feliz! =D

Artigo originalmente publicado aqui.

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