[Max Payne] John Moore: desbocado e totalmente doido

Publicado: 22/11/2008 em Cinema
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Espero que ninguém apareça na minha porta às 4 da madrugada gritando: você acabou com o meu jogo, seu imbecil! (risos)

LOS ANGELES – John Moore é um sujeito sem restrições. Encarou dirigir o remake de A Profecia e, depois, meteu as caras em Max Payne, adaptação do jogo para computador homônimo para o cinema. Chamou Mark Wahlberg para o papel principal, inventou novos modos de filmar cenas de ação e, ainda por cima, armou tudo para um segundo filme. Nada que um irlandês nato não seja capaz de fazer, claro, xingando adoidado, na defesa de seu ponto de vista e disposto a fazer filmes divertidos.

Encarei o sujeito em duas oportunidades em Los Angeles pouco antes da estréia de Max Payne nos cinemas norte-americanos, onde entrou em cartaz em primeiro lugar, embora seja um filme rapidamente esquecível.

    Há grande expectativa de ser repleto de ação, mas aí vemos drama com outro tom e um equilíbrio diferente para esse gênero.
    Acho que as pessoas se cansam de repetição. Se você transa com a mesma pessoa todo dia vai enjoar, não importa quem ela seja! (risos) O importante aqui é conseguir manter o filme interessante nos intervalos entre a ação, o que requer uma técnica bem apurada. E, claro, vai muito da sorte e cometemos muitos erros aprimorando isso. Acho que acertei desta vez! (risos)

    Como funciona essa transferência de uma mídia para a outra? Há muita preocupação com o material base?
    Não tem como nesse caso. A coisa é mais ou menos assim: quando o roteiro fica pronto, o cronômetro é zerado e começa a corrida contra o tempo. Há um filme a ser feito, então, ficar pensando muito nisso ou naquilo pode prejudicar o foco do trabalho e é preciso confiar no roteiro. O jogo serviu para criarmos uma ótima base de trabalho e contextualizar tudo que faríamos e, embora esse gênero não seja genialmente escrito como os livros de Tolstoi, há muita profundidade em alguns casos. A maior complicação mesmo foi chegar num roteiro que respeitasse o material base, daí em diante frente é mandar bala.

    Mesmo assim os fãs vão cobrar esse “respeito”, certo?
    Putz, posso me enrascar aqui! (risos) Vou ter que escolher bem o que dizer sobre isso. Como sou um jogador assim como os fãs que não participaram do processo de realização, posso garantir que nunca faria algo que não me agradasse. Por isso acho que faço parto deles, não sou um cara externo a esse mundo. E sou extremamente chato! Mas, por outro lado, esse respeito não pode podar a individualidade do diretor, afinal, se eu fizer algo pensando no que os outros imaginam, eu não sou o diretor, não é verdade? É uma separação meio complicada, então, cada um desses lados entra em cena de acordo com a situação. Não nasci fazendo filmes e gosto de viver o momento. Alguém pode decidir que eu não presto para isso amanhã, então, tudo bem, pelo menos, fiz o que achava certo.

    E são esses caras que vão ajudar na divulgação na internet…
    Exatamente, mas todo mundo precisa compreender que ninguém adapta um produto de sucesso por conta de seu valor intelectual. Afinal, Harry Potter não foi para o cinema por ser um livro relevante para o amadurecimento de uma geração e por sua redação genial! (risos) E ficar ouvindo tudo que os fãs têm a dizer simplesmente enlouquece qualquer um, afinal, se eu fizer isso vou ter que colocar Max Payne com cabelo loiro, pois uma pesquisa num site de Nebraska disse que 87% da população feminina prefere assim! Pô, não dá!

    Você sempre esteve envolvido com essa questão, não é mesmo? Afinal de contas, refilmar A Profecia afetou milhares de cinéfilos no mundo todo.
    Interessante falar sobre isso especialmente pelo fato de serem dois grupos distintos. A Profecia envolveu uma faixa etária mais velha, que ficou com medo do filme no cinema e que gostaria de manter aquela sensação original. Já Max Payne tem mais a ver com a garotada, porém o jogo tem mais de 12 anos de existência, então, o maior público de interesse aqui são caras como eu – em seus 30 e tantos… você pensou que eu tivesse 21, né? (gargalhadas). Esse pessoal gosta do jogo, mas não é fervoroso. Espero que ninguém apareça na minha porta às 4 da madrugada gritando: você acabou com o meu jogo, seu imbecil! (risos).

    O que transforma Max Payne num sujeito autêntico, especialmente sob o ponto de vista da atuação de Mark Wahlberg?
    O bilau dele! (gargalhadas insanas) É fenomenal! A melhor resposta para isso é a naturalidade com a qual Mark se comporta e faz sentido para esse papel. Ele não precisa fazer caras e bocas para se transformar em Max Payne. É algo que faz parte dele. Isso sem levar em conta toda a experiência de vida que ele tem, especialmente com violência.

    Max Payne aborda a questão das drogas. Isso pode ser um problema, já que isso pode ser considerado apologia por muitos críticos e espectadores?
    Fiz questão de tratar de uma droga que não existe. Então, não é possível fazer apologia a algo que não existe. O maior barato ali é entender que a droga pode ser um placebo. Mas claro que os chatos de plantão não vou pensar nisso, afinal, é mais fácil detonar antes de pensar um pouco mais a respeito. Ela leva o usuário a outro mundo, porém ele pode existir em nosso redor e ninguém se dá conta. Acho que os guerreiros nórdicos tinham essa abertura e a mitologia envolvendo as Valquírias é fantástica nesse aspecto.

    Quão complexo pode ser um jogo da década de 90?
    Tudo é bem simples. Ele tinha uma vida assim, agora tem uma vida assado. Não existem grandes complexidades envolvidas com esse personagem. É entretenimento feito para divertir. Quis fazer algo com ele, pois Max é muito bacana!

    E você ousou muito colocando um pedacinho do segundo filme depois dos créditos. Já tem algo em mente?
    Ainda não, mas, sem dúvida, faremos um próximo e a pergunta é: por que não? Há um segundo jogo, o filme não resolve todas as pontas e temos todo o necessário para continuar entretendo o público. Não sei se vou dirigir, mas podem contar comigo se quiserem. Adorei fazer esse filme!

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